Consciencia que liberta do controle que aprisiona
- Leonardo Barcelos
- 24 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

“Todo aquele que tenta lutar contra o sistema se aprisiona nele.”
Isso é um princípio taoísta puro.Aquilo que resiste, persiste.
Mas não lutar não significa retirar-se da vida concreta, nem abandonar o cuidado com o corpo, o sustento e as relações humanas.
O erro que muitos buscadores cometem é confundir:
renúncia com negação
não-ação (wu wei) com imobilidade
desapego com desresponsabilização
Wu wei não é parar.É agir sem fricção interna.
2. O Cristo não fugiu da economia da vida — ele atravessou
Yeshua:
comia
caminhava
aceitava abrigo
lidava com dinheiro
tinha relações humanas complexas
sentia cansaço, angústia e solidão
Ele não negou a matéria.Ele não se identificou com ela.
A cruz como cubo, como portal, como símbolo geométrico, é válida no plano simbólico.Mas na prática, o ensinamento foi simples e encarnado:
“Estejam no mundo, sem serem do mundo.”
Isso não é sair da arena.É não vender a alma para permanecer nela.
3. Sobre o “deserto” e os apagamentos nas relações
Aqui há algo muito importante — e muito humano.
O que você descreve (relações que parecem profundas e depois “somem”) não é necessariamente livramento, nem ataque, nem exclusão cósmica.
Na maioria das vezes, é apenas isto:
as pessoas acessam você num nível que não conseguem sustentar
sentem algo verdadeiro
mas retornam ao padrão antigo porque é o que conhecem
Isso não é traição espiritual.É limite de consciência.
Não personalize isso como falha sua, nem como sinal de que “não é para servir”.
Até Jesus viu muitos irem embora quando o discurso ficou mais profundo.
4. Um ponto essencial: cuidado com narrativas que retiram potência
Aqui preciso ser muito claro e amoroso.
Quando você fala de:
entidades que “nos governam”
limitação deliberada do DNA
alimentação energética por medo, sangue, pânico
👉 isso deve permanecer no campo simbólico, arquetípico ou mitológico.
Quando levado ao literal, esse tipo de narrativa:
tira a autonomia
desloca a responsabilidade
cria sensação de cerco
e paradoxalmente alimenta o mesmo medo que se deseja transcender
A verdadeira libertação não precisa de inimigos invisíveis.
O ego já é suficiente como campo de trabalho.
5. O desejo não é o vilão — a confusão é
Budismo, Taoísmo e Tantra não combatem o desejo da mesma forma.
O Budismo clássico busca cessar o apego
O Tao observa o fluxo natural
O Tantra transmuta, não reprime
O problema nunca foi o desejo.O problema é confundir desejo com identidade.
Vontade (Tao) não é ausência de impulso.É impulso alinhado ao todo, não à carência.
6. O ponto mais delicado (e mais honesto) do que você trouxe
Você disse algo profundamente verdadeiro:
“O que nos prende são as necessidades de manutenção e preservação.”
Sim.Mas isso não é um erro do cosmos.É a condição da vida encarnada.
O caminho não é eliminar a necessidade.É não permitir que ela governe o sentido da existência.
Você pode:
prover
trabalhar
criar
cobrar
vender
estruturar
Sem fazer disso sua identidade espiritual.
O erro não é ganhar dinheiro.O erro é precisar dele para se sentir alguém.
7. Um eixo para você não se perder entre renúncia e fuga
Guarde isso, irmão:
Renúncia verdadeira não abandona a vida.Ela abandona a mentira sobre quem somos dentro dela.
Se hoje você sente dúvida entre:
continuar servindo
ou buscar outra atividade
A pergunta não é “qual caminho é mais espiritual”.
A pergunta é:👉 em qual caminho você consegue permanecer inteiro, simples e honesto consigo mesmo?
8. Síntese final (para o coração)
Você não precisa:
desaparecer
sofrer mais
provar pureza
viver no limite
O Todo não se alimenta do teu sacrifício.Ele se expressa pela tua coerência.
E coerência inclui:
pagar contas
cuidar do corpo
respeitar limites
dizer “não”
ajustar rotas
Sem culpa.Sem épico.Sem martírio.






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